José de Sousa (*)
A entrada na idade sénior (reforma) traz uma mudança concreta: o tempo deixa de estar
estruturado por obrigações externas e passa a depender, sobretudo, de cada um. Terminam
rotinas profissionais, reduzem-se contactos regulares e surge uma realidade nova — mais tempo
disponível e maior responsabilidade sobre a forma de o viver.
O tempo é o mesmo, mas a sua gestão muda. E essa mudança pode ser uma oportunidade ou um
risco. Sem estrutura, é fácil cair na inatividade e no isolamento. Com intenção, pode abrir-se um
período de crescimento, participação e bem-estar.
A questão essencial é simples: o que fazer com este tempo?
Hoje, a reforma já não significa o fim, mas sim uma nova etapa da vida com duração significativa.
Viver mais anos só é uma vantagem real se esses anos forem vividos com qualidade. Isso exige
ação.
A nível comunitário, existem cada vez mais oportunidades acessíveis: associações locais,
voluntariado, atividades culturais, desporto adaptado e formação ao longo da vida, são alguns
exemplos. Muitas destas opções estão ao alcance de todos, mas continuam subaproveitadas.
No concelho de Mafra, estas oportunidades são concretas e estão disponíveis. A Universidade
Sénior de Mafra oferece dezenas de atividades — das línguas às artes manuais e performativas,
passando pelas ciências, pelos passeios e viagens ou pela valorização pessoal — promovendo
aprendizagem contínua e convívio social. O Movimento é Vida, o Atelier de Artes Plásticas, ambos
promovidos pela Câmara Municipal de Mafra, ou o Grupo Coral de Mafra, são mais 3 exemplos da
oferta disponível. Tudo isto existe – falta, muitas vezes, apenas dar o primeiro passo!

É aqui que importa introduzir uma mudança de atitude: experimentar! Sair da zona de conforto.
Testar atividades novas, mesmo aquelas que, à partida, parecem distantes ou pouco familiares.
Aprender uma língua, integrar um grupo de teatro, praticar caminhada organizada, participar em
projetos sociais, explorar a música, a dança ou as artes plásticas. O primeiro passo é, muitas vezes,
o mais difícil, mas o mais decisivo.
A experiência mostra que estas escolhas têm um impacto direto na saúde física, mental e
emocional, reforçam laços sociais e devolvem sentido ao quotidiano.
Também no plano profissional, para quem pretende ou necessita de continuar ativo, há espaço
para contributos relevantes. A experiência acumulada é um ativo real com elevado valor
económico, cada vez mais reconhecido em contextos onde a estabilidade, o conhecimento e o
equilíbrio são estrategicamente valorizados. Os talentos não têm idade, mas só os bons gestores
sabem obter resultados extraordinários a partir do envolvimento humano sustentável das suas
equipas. Como uma vez disse a uma certa pessoa, “o espírito de equipa não se decreta, promove-
se!”
A decisão de continuar a trabalhar, ou não, é individual. Mas a decisão de permanecer ativo deve
ser uma prioridade.
A autonomia, nas suas várias dimensões, não surge por acaso, constrói-se ao longo do tempo e
mantém-se com prática, envolvimento e participação. Ficar parado não é neutro, tem custos
muito elevados.
Em termos simples: mais tempo disponível exige mais intenção. Não basta “ter tempo”, é preciso
usá-lo.
A idade sénior pode ser uma fase de perdas, mas também de ganhos claros. A diferença está na
forma como cada um decide viver o seu tempo. E, muitas vezes, tudo começa com um gesto
simples, mas decisivo: experimentar algo novo!
TEMPO, um investimento acessível a todos e com elevados retornos.
(*) – Presidente da USEMA


