CULTURA, UM UNIVERSO!

*Texto publicado na edição de ontem, 15 de Novembro de 2025, no jornal “O Carrilhão” – periódico do concelho de Mafra.

No conceito de Cultura cabe quase tudo. Cultura é o fio invisível que une as pessoas, as épocas, as ideias e os povos. É o espelho das sociedades, o retrato dos seus costumes, valores, linguagens, rituais e criações, é diversidade. É também, e talvez acima de tudo, a expressão daquilo que nos torna humanos — a necessidade de compreender, representar e transformar o mundo em que vivemos, tornando-o melhor. A Cultura não é estática. Move-se, respira, cresce e desdobra-se em novas formas e linguagens. A cada geração, a Cultura é reinventada, reinterpretada e reconstruída. É um universo em constante expansão, onde o passado e o futuro dialogam incessantemente no presente.

A MULTIPLICIDADE NA CULTURA

Dizer que a Cultura tem infinitos ângulos é reconhecer que ela não cabe numa única definição. É arte, mas também ciência; é tradição, mas também tecnologia; é herança, mas também criação. Cada povo, cada comunidade e cada indivíduo contribui com um fragmento para esse mosaico infinito. A Cultura é o lugar onde as diferenças se tornam riqueza e onde o tempo deixa marcas que nos permitem compreender as singularidades de quem fomos e de quem somos. Com a globalização e a revolução digital, os horizontes culturais ampliaram-se como nunca. Hoje, é possível assistir a um concerto de André Rieu em Viena, descobrir um poeta africano ou visitar o novo Grande Museu Egípcio no Cairo, sem sair de casa. A Cultura tornou-se simultaneamente mais próxima e mais acessível, mas também mais complexa — um oceano imenso de referências que desafia cada um a escolher o seu próprio caminho de descoberta.

ONTEM E HOJE – O QUE MUDA NA CULTURA DE UMA VIDA

Comparar a Cultura de uma pessoa adulta de hoje com a de há 50 ou 70 anos é como observar duas paisagens que, embora pertençam ao mesmo território geográfico, têm cores, contornos e conteúdos diferentes que o tempo moldou. Há meio século, a Cultura estava fortemente enraizada na tradição, na leitura, na comunidade e na oralidade. Ser “uma pessoa culta” significava ter uma sólida formação literária e histórica, conhecer os clássicos da língua, da arte e da filosofia, dominar as boas maneiras e ter gosto pelo teatro, pela música e pela poesia. Por exemplo, em Portugal nos anos 1950 ou 1960, era quase obrigatório para uma pessoa ser considerada culta conhecer a estrutura e a linguagem d’Os Lusíadas de Camões e saber interpretá-los como símbolo da identidade nacional; ser capaz de citar Eça de Queirós ou Fernando Pessoa era sinal de educação refinada; ler jornais e revistas literárias, gostar de ópera ou de música clássica, interessar-se pelas belas-artes e ter familiaridade com a história de Portugal faziam parte do retrato da “pessoa culta”.

Hoje, o conceito de Cultura expandiu-se e tornou-se mais abrangente. Ser culto já não significa apenas conhecer o cânone literário ou artístico convencional, mas sim compreender o mundo contemporâneo nas suas múltiplas expressões, mesmo aquelas de que se não gosta. Na atualidade, uma pessoa culta talvez leia José Saramago, José Cardoso Pires ou José Luís Peixoto, mas talvez também se interesse por cinema underground, fotografia holográfica, música popular, computação quântica ou questões globais, como ambiente e biodiversidade. O que antes era domínio do livro e da enciclopédia passou a incluir o digital e o audiovisual. Hoje, ser culto é ser curioso, informado e capaz de dialogar com diferentes realidades e linguagens. É entender tanto uma instalação artística contemporânea quanto uma série documental, um poema, um videojogo ou um debate sobre inteligência artificial. Apesar das diferenças, há um ponto comum entre a Cultura de ontem e a de hoje: o desejo de compreender o mundo e de partilhar mensagens e significados. Mudam as ferramentas, os autores e as referências, mas permanece o mesmo impulso de aprender e de criar pontes entre o saber e a vida.

A CULTURA NA VIDA DOS SENIORES

Entre todos os públicos, talvez sejam os seniores quem melhor encarna a dimensão duradoura da Cultura. Eles são guardiões de memórias, tradições e saberes que dão continuidade à nossa história coletiva. Para muitos, a Cultura é um espaço de reencontro consigo mesmo e com o mundo. Pertencer a um grupo musical ou de teatro, pintar, escrever, dançar, ou frequentar uma universidade sénior são formas de manter a mente ativa, o espírito aberto e as emoções vivas. A Cultura não entretém apenas. A Cultura tem um valor simbólico e afetivo profundos. É um instrumento de bem-estar, de inclusão e de reconhecimento. Permite que cada um continue a sentir-se ativo, útil e capaz de partilhar experiências com outras gerações. Quando uma avó ensina uma canção tradicional, uma receita antiga ou uma história de vida, ela está a perpetuar a Cultura. Hoje, também os seniores são protagonistas na cultura digital, participando em grupos online, produzindo podcasts, navegando pelo mundo através da internet, explorando museus virtuais e mantendo contacto com a comunidade através das redes sociais. Assim, mostram que a Cultura não tem idade e que o universo cultural é um espaço de encontro, de liberdade e de transformação.

CULTURA, UM UNIVERSO EM EXPANSÃO

Pensar Cultura é pensar a humanidade em movimento. É reconhecer que o saber não é um património fechado, mas um rio que corre e se transforma. A Cultura de ontem alimenta a de hoje e a de hoje prepara a de amanhã. Em cada época, novas linguagens, autores e expressões surgem para responder às inquietações do tempo. Mas o essencial permanece: a Cultura continua a ser o lugar onde a experiência humana se materializa em beleza, pensamento, sabedoria e partilha. Cultura é o território onde o passado e o futuro se cruzam e onde cada um de nós deixa a sua marca. Cultura é, de facto, um universo — infinito, diverso e sempre humano. E ninguém melhor que os seniores para o testemunhar!

 

Nota do autor: Este texto foi inspirado na intervenção de uma colega que, ao afirmar que a USEMA precisava de “mais cultura, de quem viesse apresentar mais livros…”, me levou a refletir sobre o quanto o conceito de Cultura é, muitas vezes, restringido ao universo literário. Inspirado nessa intervenção, procurei olhar a Cultura como algo holístico, envolvendo a arte, a literatura, a ciência, a tecnologia e outras formas de expressão e conhecimento humano.

*Texto de José de Sousa, USEMA

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